Por que a marca de automóveis Eagle faliu tão rapidamente?

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A águia não é apenas a ave nacional da América. É um símbolo que adorna tudo, desde lápis baratos até batatas fritas luxuosas. E carros. Muitos deles. Antes da Primeira Guerra Mundial, seis fabricantes de automóveis diferentes deram um tapa no capô. Quatro deles estavam aqui mesmo nos EUA. A Durant Motors administrava uma linha Eagle no início dos anos 20. A Chevrolet usou o emblema em seus modelos 1933 de primeira linha. Até mesmo os All-American Racers de Dan Gurney o usaram para construções de competição no final dos anos 60.

Mas nada disso importa para a Águia de que estamos falando.

A Águia relevante é aquela que nasce do desespero corporativo. A Chrysler comprou a American Motors Corporation (AMC) da Renault em 1987. Eles queriam o Jeep. Especificamente, a lucrativa franquia Jeep. Mas a compra veio com bagagem. AMC detinha os direitos do nome Eagle, um título transmitido por meio de uma emaranhada teia de fusões.

Tudo começou com a Willys e seus carros de passageiros Aero-Eagle no início dos anos 50. Kaiser comprou Willys. Então a AMC comprou o Kaiser-Jeep em 1970. AMC já havia brincado com o nome, colocando-o em um sofisticado CJ-7 e mais tarde em uma linha de carros de passageiros com tração nas quatro rodas em 1980.

A Chrysler também herdou a rede de revendedores da AMC. Esses revendedores estavam acostumados a vender carros, não apenas jipes. Mesmo com o aumento das vendas de Jeep, as concessionárias precisavam de veículos de passageiros para continuarem lucrativas. Então a Chrysler criou uma nova divisão: Jeep-Eagle. Eagle tornou-se uma marca de automóveis completa. O plano? Posicione-a como uma marca de luxo para competir com as importações. Toyota, Honda, Nissan. O objetivo era estancar o sangramento de Dodge e Plymouth e, ao mesmo tempo, capturar o mercado de importação em rápido crescimento.

Quais carros lançaram a marca Eagle em 1988?

O lançamento no ano modelo 1988 foi menos uma grande inauguração e mais uma operação de salvamento. A Chrysler não conseguiu manter os antigos AMC Eagles. Eles estavam mortos na chegada. As pequenas Renault Alliance e Encore, construídas em Kenosha desde 1983, eram demasiado problemáticas para continuar.

Isso deixou dois sobreviventes da era Renault.

O Medalhão. Um quatro cilindros compacto. Basicamente um Renault 21 federalizado importado da França.
O Primeiro-Ministro. Um notchback V-6 de tamanho médio. Construído no Canadá, baseado no Renault 30 europeu, e estilizado por Giorgetto Giugiaro. Sim, o mesmo Giugiaro. O estilo era surpreendentemente monótono.

Ambos eram designs da Renault com tração dianteira. Correu para os EUA pouco antes da compra da Chrysler para impedir a queda nas vendas da AMC. Em 1988, eles se tornaram Eagles em virtude de um novo distintivo. Era um distintivo bonito. Os carros não eram.

Eles venderam mal. Por que? Eles eram Renaults convencionais. Mas para os compradores americanos, eles ainda eram muito peculiares. O acabamento era questionável, especialmente no Medalhão. Esse carro desapareceu depois de 1989. Uma saída rápida.

O Premier permaneceu por mais tempo, durando até 1992. Somente porque a Renault forçou a Chrysler a continuar construindo-o como parte do acordo de aquisição. Chrysler tentou. A produção atingiu o pico em 1988 com cerca de 59.000 unidades. Depois as vendas despencaram. Mesmo a adição de uma duplicata do Dodge chamada Monaco em 1990 não o salvou.

É uma nota de rodapé estranha na história automotiva. Uma marca construída sobre o nome de um pássaro, fundada na engenharia francesa e estrangulada por um mandato corporativo.

O Premier só durou porque a Renault insistiu. A Chrysler tentou satisfazer a condição. Foi um trabalho difícil.

As vendas caíram rapidamente. A questão não é apenas por que eles falharam. É por isso que alguém pensou que substituir um crachá resolveria os problemas subjacentes.

Eagle Talon e Eagle Vision

A Chrysler reforçou seu foco nos compradores de produtos importados, apoiando-se fortemente na Mitsubishi. A estratégia era simples: pegar designs japoneses contemporâneos, colocar um emblema da Águia neles e vendê-los como itens básicos para tração dianteira. A maior parte dessa formação ficou no Japão. O sedã subcompacto Summit, lançado em 1989, era um clone direto do Mitsubishi Mirage. Depois houve a carroça Summit. Uma “minivan” de curta duração do início dos anos 90. Ele emprestou seus ossos do Mitsubishi Expo LRV.

O Talon e o Vision representaram o final mais nítido desse experimento de engenharia de crachás.

O Eagle Talon chegou como contrapartida desportiva do Mitsubishi Eclipse. Compartilhava a mesma plataforma, os mesmos motores e muito do mesmo DNA. Mas a Chrysler queria que fosse distinto. A frente foi reestilizada. O interior recebeu ajustes. Não foi apenas uma troca de adesivos. Os entusiastas viram-no como uma alternativa viável ao Eclipse. Às vezes mais barato. Às vezes, com pacotes de acabamento diferentes.

O Talon provou que a engenharia de emblemas pode produzir duas personalidades distintas a partir de um chassi.

O Eagle Vision era um pato estranho. Uma perua de tamanho médio com porta lateral deslizante. Parecia que uma perua teve um filho com uma minivan. Construído na mesma plataforma do Mitsubishi Galant e do Eagle Summit, oferecia praticidade com uma estética estranha. A porta de correr era a manchete. Facilitou o carregamento. Também fez o carro se destacar no estacionamento. As vendas foram modestas. Atendia a um nicho de mercado. Famílias que queriam a estética de uma perua, mas a conveniência de uma minivan.

Ambos os carros destacam uma era específica na história automotiva. Quando as marcas nacionais precisavam competir com a confiabilidade e o estilo japoneses. Águia emprestada. Às vezes fortemente. Mas entregou carros que eram mecanicamente sólidos. O Talon ofereceu desempenho. A Visão oferecia utilidade. Nenhum dos dois era perfeito. Ambos foram produtos de seu tempo.

O Talon eventualmente desapareceu à medida que o Eclipse cresceu em popularidade. A Visão desapareceu completamente. A Mitsubishi seguiu em frente. Chrysler reestruturada. Eagle se tornou uma nota de rodapé. Mas durante alguns anos, estes carros ofereceram uma mistura única de engenharia japonesa e marketing americano.

A Visão: A Tentativa de Detroit de um Euro-Sedan

O Talon era o estranho. Um cupê esportivo sofisticado que estreou no início de 1989, era essencialmente um Mitsubishi Eclipse ou Plymouth Laser rebatizado. Construído em Illinois, na fábrica da joint venture Diamond-Star Motors, ele se comportava como um carro japonês. Mesmo em sua glória com tração integral turboalimentada, ele não se encaixava nos moldes do Eagle. Era um brinquedo para entusiastas, claro, mas, em última análise, uma importação disfarçada.

Então veio a Visão de Águia.

Lançado para o ano modelo de 1993, este foi o primeiro verdadeiro American Eagle. Construído no Canadá, sim, mas projetado em Detroit. Pertencia à família de plataformas LH, os sedãs “cabine avançada” que mudaram a direção de estilo da Chrysler. A visão aqui era específica: fazer um carro que parecesse europeu sem realmente ser um. Ficou entre o Chrysler Concorde e o Dodge Intrepid na programação.

Os níveis de acabamento contaram a história. Você tinha o ESi com um pushrod V-6 de 3,3 litros. Ou o TSi, que ganhou o V-6 de 3,5 litros com duas câmeras. O objetivo era posicionar a Visão como mais refinada e precisa do que suas primas corporativas.

Era um BMW? Não. Mas não estava tentando ser. A experiência de direção Eagle Vision se baseou em um manuseio preciso em vez de potência bruta. O chassi LH de postura ampla com suspensão totalmente independente fez com que o carro parecesse responsivo. O TSi adicionou freios ABS totalmente a disco padrão. Em 1994, a direção hidráulica com velocidade variável tornou-se padrão. Foi rápido. Não é emocionante. Mas competente.

O design ajudou a vender a ideia. O formato inclinado da cabine se estendia por uma longa distância entre eixos de 113 polegadas. Lá dentro havia espaço para cinco adultos. Excepcionalmente espaçoso para um sedã esportivo daquela época.

As desvantagens? Ruído da estrada. Foi alto. E alguns dos acabamentos internos pareciam baratos, sem o toque sofisticado que o marketing prometia. Ainda assim, o Consumer Guide nomeou-o como “Best Buy” ao lado do Concorde e do Intrepid. Foi um pacote impressionante.

As vendas contaram uma história diferente.

O Vision terminou em terceiro no trio LH. Foi vendido por apenas 30-40% do volume do Intrepid. A produção oscilou em torno de 30.000 unidades em 1993, 1994 e 1995. Por quê? Preço. Os revendedores Eagle lutaram para convencer os compradores de que o Vision não estava caro.

A Chrysler argumentou que o Vision vinha com mais equipamentos padrão do que o Intrepid ou o Concorde. Eles pediram aos revendedores que explicassem a proposta de valor. Os compradores não se importaram. A produção combinada dos anos modelo de 1996 e 1997 caiu para cerca de 15.500 unidades.

As atualizações fizeram pouco para estancar o sangramento. O ESi 1996 tinha rodas de 16 polegadas como padrão e o recurso AutoStick da Chrysler, permitindo mudanças manuais da transmissão automática. Boas atualizações. Os modelos de 1997 foram essencialmente transições. Enquanto isso, as vendas do Talon estavam definhando.

No final de 1997 para o Vision e 1998 para o Talon, a marca estava morta.

A decisão não foi apenas sobre carros ruins. Foi sobre sobrecarga. A Chrysler queria reduzir sua rede de concessionárias. Combinar as lojas Jeep-Eagle com as lojas Chrysler-Plymouth fazia sentido financeiramente.

Acabou sendo uma jogada inteligente. Os SUVs estavam crescendo. A imagem do Jeep era dourada. As novas concessionárias consolidadas eram mais lucrativas do que as entidades separadas. Os contadores ficaram felizes. A placa de identificação Eagle, que já foi uma ideia promissora dez anos antes, desapareceu na história.

Por que a marca Eagle entrou em colapso

A Chrysler nunca descobriu o que um Eagle deveria ser. O público certamente não. Com uma linha que parecia organizada e um marketing, na melhor das hipóteses, esporádico, a marca sinalizou indiferença de cima para baixo. Os consumidores ficaram na dúvida. Se você ouviu o nome Eagle, isso significava confiabilidade? Estilo? Valor? Ninguém sabia.

Os carros em si não eram lixo. Eles eram sólidos. Mas faltava-lhes o factor cool das importações japonesas e também não tinham a identidade estabelecida dos rivais nacionais. Eagle não foi um desastre na escala do Edsel, claro. Mas provou ser um ponto simples. Você não consegue respeito por um distintivo apenas colocando-o no metal. Você tem que merecê-lo.

Outras marcas americanas que desapareceram

Eagle não está sozinho no cemitério da história automotiva americana. Muitos nomes já dominaram as ruas, apenas para desaparecer na memória.

  • AMC – O azarão que construiu o Jeep Cherokee e o Eagle.
  • Duesenberg – O ícone ultraluxuoso que faliu na Depressão.
  • Oldsmobile – Outrora inovador, eventualmente apenas mais um sedã GM.
  • Plymouth – O carro do povo que se perdeu quando Dodge subiu.
  • Studebaker – Um pioneiro que ficou sem dinheiro e relevância.
  • Tucker – O carro dos sonhos que nunca chegou a dirigir.